quarta-feira, janeiro 26, 2005

Neste Peito

Nestes chãos que me fizeste lua
tu me choves a carne crua.
Nessa terra de barro e pedra
me fizeste ser tão tua.

Mera manhã,
retalhos de uma noite nua.
- Arde-me, Sol!
Violenta essas retinas soturnas
pois esse abismo
é o elogio da própria cura.

Loucura?
Louca cura
- Os loucos também curam!
Só os loucos ardem
só os loucos seguram...

Nestes chãos...
nesses sóis
nesses peitos...
neste peito que bate!
Bate... bate... bate!!
E bate muito bem!!!
Nessa loucura
Nesse ismo de dizer amém.


Lee Flôres Pires 28-10-2004 

domingo, janeiro 23, 2005

Recorte de Amor

Sentir propagar
nas lentes do seu olhar
pairar no ar
cheiro de vestígios...
ah! Era aquela poesia
que mofou no baú
das velhas tralhas.
Ah! Era aquela poesia,
poesia de fina flor
Flor de fina poesia
fina poesia de flor.
Que declamava
versos de amor
que conjugava
o verbo amar...

... recorte de amor
subsistente, prefaciado.
Melodias de tambor
batuques arpejados
recorte de amor...
foto desfocada.


Lee Flôres Pires

quinta-feira, janeiro 20, 2005

O Silêncio

(Minha poesia é surda,
mas ouve muito bem o silêncio)

O Silêncio:

- Minha poesia é barata
destas que roem bagas
destas que recitam violência
minha poesia é cara
destas que são souvenir raro
destas que ressuscitam santidades
minha poesia...
é perfume dantesco
é escarro bizarro
é pérolas à porcos
é porcos emperolados
minha poesia é um cara como eu:
assim sem palavras
assim sem nexo
assim... assim...
assim sem você.


Lee Flôres Pires

sábado, janeiro 15, 2005

Expressão Pré-Fabricada

Introdução:

Não adianta perverter a lógica,
a palavra que te ama
encarrega-se da maré.
A vela, o vento, e a esquina
te procuram.
O vício, o verso e a rima
te curam da falta de norte.

Náufrago inexistente...
embarcação cariada.

Não adianta embaralhar
virar de ponta a cabeça.
O poema que te ama,
te ama
e só".


Lee Flôres Pires