segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Ode ao ódio

Ódio da estrofe
da cadeia dessas sí­labas
do enclausurado ritmo.

Ódio da boca grangrenótica
desses paladares medonhos
dessas rimas tão perfeitas.

(queria ser um poema
captar o instante não instantaneo
sublinhar as cores incolores
navegar amores tão atores
e morrer sem rimar)

Ódio as catequeses cartesianas
de majestrais castrações
de mestres bilaquianos.

Ódio as odes metafísicas
as metaforas metoninecas
as aladas aliterações.

subúrbio roubado de mim
poema
poesia latente...
reticências
soar suando na vértice
do meu triângulo.

Ódio a poesia
Ódio...
Ódio a mim.
Lee Flôres Pires 14-02-05

terça-feira, fevereiro 08, 2005

Carnaval

Quando procuro o início de tudo, esbarro em monólogos dissimuladamente imaginários... cegueira e ódio de Fast-food são humanos até demais. É um suicídio por segundo... ruas... luzes de mercúrio, um desastre em cada uma das esquinas vazias. O relógio despeja as horas nos meus sentidos como quem percorre por mera obrigação um caminho pisado.

- São dez horas da noite! Bem, poderia ser qualquer hora, não faria diferença, pois quero apenas Caminhar e acender um cigarro. Gesto nitidamente mecânico de quem procura a pessoa mais certa pra não pensar mais... pensar!?? E pensar que Longos caminhos se abrem na noite... Óperas sem títulos  peças sem falas, eus digladiando chances lógicas de prazer! Prazer!??

 - Muito prazer, meu nome é otário! Cavalgando em noites fanfarronas agarrado em minhas bandeiras de trapo. Com uma única coisa na cabeça: a certeza da estrada...

Lee Flôres Pires

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

Tanta Coisa pra Dizer

Tanta coisa pra dizer
dialética latente
de praças, portões e quintais.
Aquela velha artrite
dos vocábulos singulares
eternos,
modernos...
clichês!

Tanta coisa pra dizer
debaixo dessa lona,
tanta coisa...
quem me dera ser palhaço!
Apenas um, dos milhares que sou.
Quem me dera entre inventos suburbanos
profanar neologismo barato
seduzir ébrios corações
capturar sorrisos sensatos
diagnosticar revoluções.

Tanta coisa pra viver...
viver pra não morrer
sentir pra não sofrer
destruir pra pactuar
perverter pra sempre amar,
mas esse teu cheiro de sexo,
Este teu jeito conexo de só flertar
me deixa com tava coisa pra dizer.


Lee Flôres Pires