terça-feira, março 08, 2005

Excesso

Permita-me
Dizer palavras desconexas
Em meio a estreitas verdades
Só para que eu te confunda
E te precipite a raiva
E ria da sua surpresa
E esnobe a tua impaciência
Permita-me
A arrogância imperturbável do meu ego desequilibrado
E a euforia descontrolada da minha voz
Permita-me
O prazer da violência
A inconseqüente avidez do meu corpo
E a imprevisibilidade de minhas veias ébrias
Permita-me
Fazer desta incompreensível mudança
Um silêncio súbito e agudo em sua mente
Permita-me dizer de todas as maneiras
As mesmas mentiras
Só para descobrir
A mentira que restou
A mentira que eu sou
Só esta noite,
Permita-me o excesso.

Clarissa França

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