domingo, março 20, 2005

Like a rolling stone

Essa janela para lugar algum,
sempre fechada, nos vigia.
O disco que toca faz o quarto flutuar.
Qual será o álibi?
- Beijar esse corpo!
Mas quem beijou?
E que corpo? E quem vai lembrar?

Sexo de morte,

vermes de sorte,
lençóis impregnados e brancos,
fim de noite!

Início de dia,

sem casa, 
como uma pedra rolante no vazio,
toco dó e sol maior de um refrão sem norte,

sem subtons: - Um, dois, três... corte!!!
Ficção de amor no videoclipe.
- Trocentésimo take... gravando!!!

Bocas de Picasso,
dores Almodôvar,
cores de Frida Kahlo,
geografias de Neruda,
acordes de Dylan.

E de nada vale essa música!?

Essa mentira de poeta que finge dor.
Fingidor que deveras sente,
e acorda sob o sol na fresta da janela,
que ilumina esses corpos nus.


Lee Flôres Pires - 20-03-2005


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