sexta-feira, março 18, 2005

Minha poesia morreu

(um minuto de silêncio antes da explosão)

Minha poesia morreu
ali na esquina
atropelada por um destes automóveis velozes
morreu ali...
bem ali, ao olhar de todos que não viam nada.
Foi num desses dias trágicos que minha poesia morreu,
num desses dias que corre sangue nas veias,
foi num desses dias que minha poesia ficou estendida naquele asfalto
diante de olhares submissos
diante da falta de vontade
diante de falta da falta da falta...

Minha poesia morreu,
eu quis fazer um minuto de silêncio,
eu quis tudo
e tudo doendo me quis.
Doendo eu,
doendo o mundo
e minha poesia já não dói nada
já não corre sangue algum,
o sangue apenas frita no sol
no chão do asfalto em brasa,
espalhado em marca de pneus.


Lee Flôres Pires

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