sábado, março 05, 2005

Sala sem janela

Eis que se apresenta o céu
com seus olhos que brilham.
Esperança mesquinha
confiança unilateral.
Eis que se apresenta firme,
cheio de si
explodindo de voz esmagadora.
Diafragma...
timbre multicor
garganta...
profanando febre
silenciando libertinagens
ao som de trombetas enfurecidas
e harpas envenenadas.

E passa o céu
e os meus pés no chão
castigam meu calcanhar.
E passa o céu 
coberto de nuvens
manto...
tapete de algodão
pra eu pisar com meus pés pisados
esta celeste cura.
Como um sopro depois da mordida
como um coice depois da queda
como esta janela sem vista
como esta sala sem janela
como esta poltrona sem sala...
janela infinita
manhãs infinitas...
comendo o pão que o diabo amassou.


Lee Flôres Pires 19-10-2004 

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