sábado, março 05, 2005

Teu tão meu

Teu espelho não te enxerga,
tua voz não te cala,
teu desejo não te explica,
tua freqüência não te capta.

Teu olhar que silencia,
tua estúpida fanfarra,
teu corpo que se cobriu de fantasia,
tua ausência pela sala.

Minha dor
que eu não sinto,
de tanta dor
que eu sinto,
já me entrega,
já não salva.

Minha flor
que eu não minto,
de tanta flor
que eu minto,
já não me entrega,
já se salva.

Teu sabor,
tua dose certa -
o éter da sua vida.
Teu odor,
tua fala engasgada -
minha estrela decaída,

minha violência,
minha estrada,
minha relutância,
minha pousada...

fim de tarde,
fim de dia,
morre sol
morre utopia.

Fim...
fim de adeuses tão bizarros,
fim...
e eu que apenas comecei com as tuas mortes,
me perco nos fins de teus dias.



Lee Flôres Pires 05-03-2005

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