sexta-feira, agosto 26, 2005

Com os próprios olhos.

- Não! Isso não é um poema.
As lágrimas que aqui pousaram
nunca virarão uma canção:

- Te vi ali na esquina!
- Foi?
- Foi sim... e vi suas máscaras de vento.
- Máscaras?
- Sim, máscaras.

- Não! Isso não é pra você.
Os destinos traçados por esta esquina
nunca desvirtualizou ninguem:

- Ei, te vejo em outra esquina!
- É?
- É sim... e com as máscaras que você quiser.
- Máscaras?
- Sim, máscaras.

- Não! Não olhe assim pra mim.
Você nem quis saber por onde eu ando.
É verdade, eu ando mesmo assim.
Mesmo que esse dia não chegasse!

- Ei, olhe pra mim!!
Com os próprios olhos.
Na veia da vida,
no vício visceral.
E depois me diga,
se é abismo ou providencial.


Lee Flôres Pires

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