terça-feira, setembro 13, 2005

Eu sou Londres

No fundo da caverna
desligo a teia
que conecta o mundo
comendo passivo,
insetos histéricos
no meu bocejo de poucos de desejos
(Rebanho incorreto).
Meus tantos desejos?
Os insetos histéricos?
Vou atravessar paredes
caminhar entremuros, evitar entrepernas.
Viajar na caverna do fim da vida
rumo ao vazio de tudo,
mentindo ser para não ser
através de um profundo mal-estar.
Um dever que se cumpre,
que promete o nada
a devir
na expansão da contrição
de um transe
de mentiras herdadas
da mesma covardia
não se entrega um corpo assim
à vida!
É relutância da pior sujeira.
E sentir essa relutância enfraquecida,
se encaminhando para o seu fim.
É para mim, alguma forma de alegria
na caverna do fundo do mundo.
Tentamos esconder os nossos fedores.
Delícia intacta de uma felicidade virgem,
exalando regras para a dor e delírio.
A dor e o delírio expandem-se na caverna
e o medo nos forja cada vez mais sábios.
E isso é ultrajante!!
Iogue, babo mantras e insetos...
engulo gafanhotos Bíblicos
como santidade katalogada
a regurgitar psicodelia
para turistas místicos, atônitos e... CorRetos......
Eis aqui a loucura da vida:
a caverna do fundo do mundo é tudo
e eu já não sou nada
só luz.
Eu já não sou nem quase
eu sou a caverna,
eu sou o fundo,
eu sou o mundo,
EU SOU LONDRES.

(Lobão)

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