sábado, novembro 05, 2005

Perdi um poema

No instante que olhei a entreporta do seu fanático olhar:
a vi!(...)
era ela!
aquela era ela!
e era nada!
não consegui perder o eco da sua voz!
Mas ele mantinha a porta aberta!
Diante dos conchavos bizarros,
permaneceu mediocremente belo.
e era elo a cor do seu coração,
e era o olhar fanático do ópio!

No outro instante, sob olhares menos fanático, desejei entreportas fechadas.
Quase mudo, quase sincero,
e sob efeito do mesmo ópio.
Mas ele mantinha a porta aberta,
diante de conchavos bizarros.

Me fiz distante,
mas ele... constante em seu olhar
continuou perdendo o poema estanque
na volúpia da sala de estar.


Lee Flôres Pires

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