sexta-feira, novembro 25, 2005

Silenciosas manhãs

I

O que será dos vultos pálidos de prazer?
Seriam suficientes nas constelações sonoras do seu ser?
Egos pedagógicos sussurrados sem medida.
Apetite profundo de deleitar dores e odores.

Simples gaiola de sentimentos,
vozes ardosas de condicionamento,
nas silenciosas manhãs...
tenebrosas manhãs...

Vida de vidro incolor
exalando vocábulos irrefutáveis...
vida de vidro incolor
(sem vida, sem graça)
vivida nas esquinas da dor.
Amor!!!
(Palavra desgastada)
Em precipitações palpitantes,
desmistifico seus mistérios,
oh lua, musa dos amantes!
Tu diante de incrédulos gritos profanos,
silencia com a manhã.


II

... eis que acordou o poema!
O que lhe dar de manhã?
- mau humor e café amargo.
A febre dos que não voltam,
o sono dos que não se recuperam...
O dia chega ingênuo,
sem saber o que fazer
com os resquícios soturnos de um verso maldito,
pois a noite reflete os desejos,
que o dia tira das vitrines holofoticas.
ótica visceral!
ótica visceral!
ótica visceral!
... ótica ... wodka...
motiva... noi(a)tivo!
saudoso e repetitivo eu eis de ser
álcool, cigarro e retina no pulmão
becos, vielas e esquinas... solidão!
Me é lucro o que vier... de manhã.


Lee Flôres Pires

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