sexta-feira, dezembro 30, 2005

Solidão, não!

Escuridão
Ter que andar nessas ruas
que medo que dá
que tristeza eu sinto
ter que lembrar nessas ruas
do amor que deixei passar.

Contornar essas esquinas
me rasgam as veias.
Me traz a tona
o teu olhar que me detona
feito bomba H.

Escuridão
e vertigio de luz nas janelas
nos corpos que se deitam
às cinco da manhã.
Escuridão
solidão...

E o fim daquela festa não me resta aqui dentro!



Lee Flôres Pires

segunda-feira, dezembro 26, 2005

O poema não cala

O poema não cala
ele subsiste dentro de mim
com sua parcialidade dos
dias tristes e dos dias
felizes.
Sua voz tende a não
ser amordaçada,
sua voz reflete
o seu olhar blasé
de dias quase fúnebres.
Suplicando revolta
suplicando dias de
domingo.

Qual leveza é mais
humana?
Essa existência
esse poema claustro
me liberta
me prende
me emociona
me termina.


Lee Flôres Pires

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Voz que cala

Quando o som dissonante soa
a voz cala
e o silêncio ecoa.

Lee Flôres Pires

terça-feira, dezembro 20, 2005

Qual veracidade há ao ver a cidade?

Que tristeza te ver amar
no sobresalto da minha lente.
Ver minha dor não calar
nas ampulhetas do que se sente.
Seu sorriso no espelho
não cabe na minha mão
Pálido, cinza... vermelho
escorregou...
e caiu no chão
despedaçou o meu desejo,
dilacerou meu coração.

Que tristeza te ver amar!
Minha sede de revolução,
meu sabor anárquico de viver.
Que tristeza ver a cidade
inverossimilmente diluir
na acidez do seu olhar
tão distante, tão remoto.

[silêncio no caminho de casa]

...E eu que quis um dia amor pra sempre,
espero agora
amor pra agora.


Lee Flôres Pires

terça-feira, dezembro 13, 2005

Melancolia

Fim de tarde
terceiro andar - sacada vazia
o último cigarro apagado no cinzeiro
o aparelho de som ligado em silêncio.
A música acabou.

Lee Flôres Pires

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Por hoje é só

A minha vida inteira pela frente
e a dor é o bastante.
Corrigir as ruas sem nomes,
e o jardim das flores murchas.
Não olhar pra trás,
não lembrar dos outonos
é necessário para aprender a amar.
Talvez amanhã eu aprenda,
por hoje é só.

É só por hoje
que quero o amor cego,
o amor cortês
o amor burguês
o amor platônico
o amor amor!

É só por hoje
que quero você.


Lee Flôres Pires