sexta-feira, dezembro 22, 2006

Instante de Amor

Me ame apenas
no preciso instante
em que me amas.

Nem antes,
nem depois.
O corpo é forte.

Me ame apenas
no imenso instante
em que te amo.
O antes é nada,
e o depois é morte.

Afonso Romano de Sant'anna

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Mu(n)do

Nenhum choro
nem sequer um mísero choro
eu hei de ter.

A dor é tão forte
que não há mais dor.

O menino do sinal
não o vejo.
Os olhos fecharam
as lágrimas secaram.

A fome na esquina
não a sinto.
O estomago calou
o sangue talhou.

Só me resta a indiferença
a boca muda
o minuto de silêncio.


Lee Flôres Pires 11-12-2006

terça-feira, novembro 14, 2006

Testamento

Deixo minhas mãos
para os bolsos do casaco
nos dias frios.
Deixo minha boca
para a nicotina e os licores
nos dias de romance.
Deixo meu olhar
para o vento que não soprou
nos dias que passaram.

( Deixo.
Por vicio de deixar.
Pelas causas perdidas.)

E para ti,
deixo meus poemas
nos dias de silêncio.

( Deixo.
Por vicio de deixar.
Por amor...).


Lee Flôres Pires

segunda-feira, outubro 09, 2006

Das mortes

Daquilo que um dia eu via em cores
sobrou o cinza do cabelo dela
a opaca cor dos seus olhos
a fraqueza do seu tom de voz.

Daquilo que um dia eu vivia em amores
sobrou o rascunho do poema
o copo vazio
e o último cigarro.


Lee Flôres Pires

segunda-feira, setembro 25, 2006

Minha mão cintilante, e sua presença

Me vejo entre cigarros,
e entre amores que nestas cinzas despejei.
O cinzeiro cheio,
O coração vazio,
E o poema pedindo palavras.

O vácuo do coração
surge quando nasce a manhã.
E a palavra do poema
permanece no cinzeiro
junto com meus amores
junto com o beijo que não era esperado.
E o desejo me compromete,
e me revoluciona.

Espero que esta manhã
Caiba em minhas mãos cintilantes,
como espero que se faça feliz a sua presença.


Lee Flôres Pires

domingo, setembro 03, 2006

Monocromo


Da voz do seu olhar
Do poema da minha boca
Do elo azul da Palavra
Do meu riso amarelo
E do meu coração que não bate.

Da luz do seu quarto
Do frio da minha janela
Da noite violeta dos desencontros
Do meu silêncio vermelho
E do meu coração que não bate.

Você aqui perto
Com sua simples presença
E eu monocromático
Apenas com minha música dissonante
E meu olhar quase morte
Sem voz
E sem palavras.

02-09-2006 Lee Flôres Pires

domingo, agosto 27, 2006

Última balada


Eu canto com a voz rasgada que me fere,
e o remendo na veia
sustenta o tom da última balada.

Mas o que fazer se a música não parar de tocar?


Lee Flôres Pires

terça-feira, agosto 22, 2006

Dilacerado coração


Hoje desejei um poema.
Um poema pra lembrar quão amarga é a manhã.
A manhã de todos os dias iguais.
Hoje desejei um poema.
Um poema que me deixasse triste,
Ao invés desta felicidade de graça.

(mas essa janela, esse raio de sol me impõe este sorriso besta na cara, e dilacera o poema)

Hoje não desejei a mesma janela.
Janela de raios tão alegres.
Alegres manhãs sem café.

Fingirei
e abrirei a mesma janela
respeitando a maldita cadência das horas...
e o café?
Talvez amanhã venha
adoçado pelo desejado poema.
E o poema?
Talvez amanhã apareça
Pela imposta janela
com a beleza isenta das flores.


Lee Flôres Pires

sábado, julho 15, 2006

Sabores de Dali


Início do dia:
- tão felizes seus olhos
diante da morte.
Haverá luz?
Haverá sombra?
Ponto de foco...
perspectivas...

Meio do dia:
- tão felizes seus olhos
diante da vida.
Sua ausência...
cores anacrônicas,
amores incolores,
e sabores de Dali.

Fim do dia:
- tão felizes seus olhos
diante da incerteza.

Lee Flôres Pires

quinta-feira, junho 15, 2006

Portas

"Todas as portas estão abertas
ou não há portas."

(Max Martins)

sexta-feira, junho 02, 2006

Do sabor das coisas

Por mais raro que seja, ou mais antigo,
Só um vinho é deveras excelente:
Aquele que tu bebes calmamente
Com o teu mais velho e silencioso amigo...

(Mario Quintana)

quinta-feira, maio 18, 2006

E de repente o seu olhar

Quem não se arrepiaria
diante do olho do furacão?
Quem que como os pés descalços
sobre essa areia fina
com os olhos fechados
os braços abertos
ao som do mar
sob o olhar da lua
não se sentiria livre?

-(silêncio!)

(e eu, menos poeta
sento à beira do abismo
flertando como nietzsche
os belos olhos da bela
que ficaram na outra esquina).


Lee Flôres Pires

sexta-feira, abril 28, 2006

Entre a voz e o silêncio: você

Dos seus olhos
escorrem minhas lágrimas
que me impedem de sentir
a poesia engasgada
na tua garganta.
O silêncio do meu rosto
vermelho e molhado
não diz nada...
e diz tudo
que não consigo dizer.
E mesmo a voz de veludo
que reverbera em tua boca
é incapaz de resistir ao meu silêncio.


Lee Flôres Pires

segunda-feira, abril 17, 2006

Alegorias da Noite

I

Quando era noite
não havia dor
era apenas sono.
Quando era dia
não havia pavor
era apenas dormência.
Essa tarde...
me rouba lágrimas de dor
daquele jeito
que nos faz envelhecer
nos bancos de praça
diante dos passantes.
Mas a tarde...
essa tarde
essa praça,
esses não pensantes,
alegoram o pavor da minha ausência.

II

Faltou a noite
naquele dia de insônia
talvez abrir os olhos
talvez sorrir diante do pavor.
Faltou o dia
naquela noite intocável
talvez fechar os olhos
talvez você aqui de peito aberto.
Não faltou a tarde
naqueles dias e noites de melancolia
um dia ameno
uma noite a menos
sempre você!
E eu?
(...)

Eu continuo a namorar as estrelas.


Lee Flôres Pires

terça-feira, abril 04, 2006

...eram queixas noturnas

"projetei teu
rosto numa
tela virgem,
medíocre seria
tela sem amor;
constar no impulso do instinto...
recher os olhos encóficos numa
planitude rival...
vociferar na
intensão contornada
de amor,(...)
mudo...
encher meu peito
de trocos unos aparentes, insólito...
me render a uma causa menos instinta...
menos flor tóxica, entrevisionária... surreal... mórbida...
ou sei lá o que...(!)"

(Ewerton de Azevedo)

sábado, março 11, 2006

Novos Horizontes

Corpos em movimento,
universo em expansão.
O apartamento,
que era tão pequeno,
não acaba mais.

Vamos dar um tempo,
não sei quem deu a sugestão.
E aquele sentimento,
que era passageiro,
não acaba mais.

Quero explodir as grades e voar.
Eu não tenho pra onde ir,
mas não quero ficar.

Novos horizontes,
senão for isso o que será?
Quem constrói a ponte,
não conhece o lado de lá.

Quero explodir as grades e voar.
Eu não tenho pra onde ir,
mas não quero ficar.
Suspender a queda livre... libertar!
O que não tem fim,
sempre acaba assim.

(Humberto Gessinger)

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Céu de Baunilha

- Foi você quem veio ontem, depois que abriu os olhos, dizer que o sonho não acabou! Mas não é sobre isso que quero escrever. Quero escrever sobre o que vejo. A principio eu quis parir um poema. O poema não nasceu, nasceu um céu de baunilha na minha frente, um céu daqueles de roubar uma lágrima. Lembrei de você! Mas não é de você que eu estou falando, falo de mim. Falo das lembranças do filme que vi. Falo do conceito pré-fabricado, pois antes de tudo: o conceito ( minha mania de fazer arte conceitual). Talvez eu soe pretencioso, mas isso não será novidade para mim.

Acho lógico perguntar qual é o objetivo do que quero escrever, não é insensibilidade, eu sei. Mas peço um pouco de paciência a quem queira ler. Não é fácil falar dessas coisas assim. Não costumo falar da minha vida nos meus textos. Irei escrever sem pensar muito, confesso, para sair a emoção do instante, apesar de não ser um poema (o poema é o captar do instante). Vou começar falando do que me impulsionou a me enveredar por essa viagem prosaica.

Quando acordei hoje, me veio um trecho de uma música dos engenheiros: "a vida não pode ser um contagotas na tua mão, chuva que não chove, sol que não sai. A vida não pode ser medida com precisão, motor que não se move, nuvem que não se vai". Isso me fez sentir algo estranho, algo que não sei explicar. Apenas sei que não me sinto o mesmo depois de sentir. Eu mesmo quis esquecer tudo o que eu fui antes disso, quis esquecer as lembranças do filme que vi. Penso que isso seja um pouco infantil, mas não me envergonho disto, atire a primeira pedra... e não preciso dizer o resto. Sei que talvez não seja importante o que eu preciso. Sei muito bem como se é possível ignorar essas coisas. Portanto não me importo. Portanto voltemos ao texto, voltemos aos meus sentimentos antes apenas meus. Crio agora o anti-campo de força dos sentimentos, com o objetivo de filmar as atenções e tensões por eles despertadas. Que irônico! Volto a falar do que sinto. Sinto uma vontade de rir disto. Sinto muito pelo meu eterno retorno e pela vontade de chorar e ficar só. Sinto também que nunca me sentir tão absorvido pelo o que já disse. O fim está no meio, eu disse, e sou escravo dos meus próprios erros. Por favor, entendam. Não quero perdão, quero silêncio, pois só ele pode me julgar. Só ele viu o estragos que trago comigo a noite, as vozes que ouço na cama a noite e meu medo do escuro.

Vamos adiante nos fatos: a tarde sai sem rumo, fumei uns cigarros sem muito prazer. Andei esperando encontrar alguém na rua, esperando algo que me distraisse (se ainda não disse não gostei nada do que senti pela manhã), nada apareceu, só meu passos distraídos pela rua. Então resolvi entrar no ônibus, e comecei a ler uns textos da ufal, que pouco me prenderam a atenção. Mas me sentia numa apatia tranquila, pouco preocupante. E quando quase comecei a sentir minha respiração de novo, veio-me ele. O sentimento voltou. vieram novas palavras em minha cabeça: "diga adeus ou não diga nada". Voltei a me sentir estranho. Que estranho se sentir estranho! É muito estranho se sentir assim, muito estranho! Desejei tanto a apatia de novo, a falta de sensação, desejei de volta meu coração que não bate nem apanha. Esse coração de agora não! Esse sentimento agora não! Desejo em vão, desejo impossível. Agora só me resta o filme que vi, o caminho que eu não devia passar, a escolha que não quis e escolhi, e o dia que determinou o fim. Bem, tenham calma! Lógico que não sei qual foi o dia que determinou o fim, nem sei se ele existiu. Só sei do coração, só sei do filme que vi... e sei que o final não chegou na superfície, foi profundo... foi na pele.


Lee Flôres Pires

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Quase um poema

A pele é meu chão;
é minha necessidade de ser humano;
é meu cada dia, meu pão;
é minha vivência de suburbano.

É dela meu poder de fala,
é ela quem determina meu mau humor;
quem possui minha alma,
quem escraviza minha dor.

É minha matéria;
é meu tempo de drummond;
é minha variedade;
é meu heterônimo de pessoa.

É meu eu menos meu,
que não espera nada de mim,
que não espera da minha vida
um romance de Sartre.
Que não espera um toque de leveza
de um delírio de Kundera,
nem a volúpia de um poema,
nem aquilo que me reconsidera.

Minha pele é minha poesia,
que quase como morte
desfalece de sua ausência.
sente e enterra em mim
a eternidade de sua presença.


Lee Flôres Pires

sábado, janeiro 28, 2006

Prológio

O relógio corre.
A cabeça não aguenta
a inevitável sensação de que as pessoas se repetem.
E quando eu mais preciso
as palavras silenciam.

Lee Flôres Pires - fim de tarde 18:30hs 20-01-2006

domingo, janeiro 01, 2006