sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Quase um poema

A pele é meu chão;
é minha necessidade de ser humano;
é meu cada dia, meu pão;
é minha vivência de suburbano.

É dela meu poder de fala,
é ela quem determina meu mau humor;
quem possui minha alma,
quem escraviza minha dor.

É minha matéria;
é meu tempo de drummond;
é minha variedade;
é meu heterônimo de pessoa.

É meu eu menos meu,
que não espera nada de mim,
que não espera da minha vida
um romance de Sartre.
Que não espera um toque de leveza
de um delírio de Kundera,
nem a volúpia de um poema,
nem aquilo que me reconsidera.

Minha pele é minha poesia,
que quase como morte
desfalece de sua ausência.
sente e enterra em mim
a eternidade de sua presença.


Lee Flôres Pires

Nenhum comentário: