sexta-feira, abril 28, 2006

Entre a voz e o silêncio: você

Dos seus olhos
escorrem minhas lágrimas
que me impedem de sentir
a poesia engasgada
na tua garganta.
O silêncio do meu rosto
vermelho e molhado
não diz nada...
e diz tudo
que não consigo dizer.
E mesmo a voz de veludo
que reverbera em tua boca
é incapaz de resistir ao meu silêncio.


Lee Flôres Pires

segunda-feira, abril 17, 2006

Alegorias da Noite

I

Quando era noite
não havia dor
era apenas sono.
Quando era dia
não havia pavor
era apenas dormência.
Essa tarde...
me rouba lágrimas de dor
daquele jeito
que nos faz envelhecer
nos bancos de praça
diante dos passantes.
Mas a tarde...
essa tarde
essa praça,
esses não pensantes,
alegoram o pavor da minha ausência.

II

Faltou a noite
naquele dia de insônia
talvez abrir os olhos
talvez sorrir diante do pavor.
Faltou o dia
naquela noite intocável
talvez fechar os olhos
talvez você aqui de peito aberto.
Não faltou a tarde
naqueles dias e noites de melancolia
um dia ameno
uma noite a menos
sempre você!
E eu?
(...)

Eu continuo a namorar as estrelas.


Lee Flôres Pires

terça-feira, abril 04, 2006

...eram queixas noturnas

"projetei teu
rosto numa
tela virgem,
medíocre seria
tela sem amor;
constar no impulso do instinto...
recher os olhos encóficos numa
planitude rival...
vociferar na
intensão contornada
de amor,(...)
mudo...
encher meu peito
de trocos unos aparentes, insólito...
me render a uma causa menos instinta...
menos flor tóxica, entrevisionária... surreal... mórbida...
ou sei lá o que...(!)"

(Ewerton de Azevedo)