domingo, agosto 27, 2006

Última balada


Eu canto com a voz rasgada que me fere,
e o remendo na veia
sustenta o tom da última balada.

Mas o que fazer se a música não parar de tocar?


Lee Flôres Pires

terça-feira, agosto 22, 2006

Dilacerado coração


Hoje desejei um poema.
Um poema pra lembrar quão amarga é a manhã.
A manhã de todos os dias iguais.
Hoje desejei um poema.
Um poema que me deixasse triste,
Ao invés desta felicidade de graça.

(mas essa janela, esse raio de sol me impõe este sorriso besta na cara, e dilacera o poema)

Hoje não desejei a mesma janela.
Janela de raios tão alegres.
Alegres manhãs sem café.

Fingirei
e abrirei a mesma janela
respeitando a maldita cadência das horas...
e o café?
Talvez amanhã venha
adoçado pelo desejado poema.
E o poema?
Talvez amanhã apareça
Pela imposta janela
com a beleza isenta das flores.


Lee Flôres Pires