segunda-feira, abril 23, 2007

O Poema se desfaz



Faço um poema
e a janela continua aberta
e bate o mesmo sol.
Faço um poema
e na mesma rua os carros passam
e continua caindo a chuva.

Faço um poema
e o mundo é o mesmo
não muda nada
o mesmo coração de zinco
a mesma boca cheia de dentes amarelos
sem amor.

De que vale o poema
se tudo é vácuo?
Se a ausência é farta?
Se o silêncio me ensurdece?

De que vale ser poeta
se não sou alegre nem triste?
Se não há caminhos pro excesso?
Se não posso transbordar?

Faço um poema
Inerte.
Aceito o fardo do poema
que me vale o pão
que não me vale nada.

Faço um poema
e o poema não faz nada.


Lee Flôres Pires

quarta-feira, abril 11, 2007