segunda-feira, julho 30, 2007

Batom Furta-Cor


Abriu os olhos.
Vultos, vozes,
vômito e dor.
Bela manhã de ressaca,
belo batom furta-cor.

Olhos abertos,
inevitavelmente abertos.
Sem fuga...
lembranças de uma noite turva,
lembranças de um curto amor.

O dia se foi...
ela também.
Ficou o batom,
a dor de cabeça,
aquele olhar fúnebre,
e o aroma de poesia amarga.


Lee Flôres Pires 13/07/2007




quinta-feira, julho 26, 2007

Vinho, Amor e pernas

A boca aberta
No olho o espanto
No copo o vinho tinto
O Amor entre as pernas

O beijo entre dentes
A lágrima no rosto vermelho
O copo vázio
A falta de éter

(... e o dia continua passando lentamente)

As bocas sozinhas
Os olhos fechados
As lágrimas sequinhas
Os dentes cariados

(... e o dia continua estanque)

Passa eu
Passa a boca sozinha
Nuvens de lágrimas no céu vermelho
encerram um outro dia

Um novo dia
o azul tece a manhã
com um lirismo
de engasgar o poeta.

(... e outro dia vai passando)

Os olhos fechados
As bocas sozinhas
Sem lágrimas
Sem dentes


Lee Flôres Pires 12.07.2007