segunda-feira, janeiro 14, 2008

Porcelana chinesa



Por enquanto vai
Sua boca
Seu cabelo artificial.
Por enquanto serve
Seu olhar
Seu flerte banal.

Bela porcelana chinesa
Pseudo bibelô de armário
Do seu sexo sou réu primário
Sibilo seu gosto de vida burguesa.

Por enquanto vai
Seu anel turquesa
Seu prato imposto à mesa.
Por enquanto...
Meus braços atrofiados
Minhas mortes em tua janela.

Por enquanto serve
Seus tambores que não pensam em rufar
Como quem evita o íntimo
Como quem come sem olhar.

Pois é noite,
Meu bem,
Ela nos nega enxergar.
O que o encanto do dia nos serve
De café da manhã.



Lee Flôres e Tayra Luz

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