quinta-feira, março 13, 2008

Confesso...


confesso que por eternidades
desejei as métricas
imperfeitas de suas palavras
as rimas decompostas de sua voz.

(... nós sim... livres!)

Confesso que desejei
suas mãos sem eloquência
sua boca sem versos bandidos.

Apenas poeta,
mendigo ou doutor...
não senhor!
Amante
diante o amanhã
e o ontem na vitrine.

Confesso...
(!)
Confesso!
(A)Mo{r}te em decassílabos.


Lee Flôres Pires

domingo, março 09, 2008

Sobre rosas e espinhos



(... memórias, gargantas

músicas a cores,
amores atores...)

Te cantei em versos:
minha razão,
minha promessa
mais excêntrica.

Te beijei inconfesso:
minha culpa,
minha ferida
quase morta.

Uma só gota,
o último gole
nos deixa assim...
sem palavras...

Diante a tela,
a tinta,
a gasolina,
pra te sentir...

(Minha judia-cristã,
minha bomba em Bagdá,
meu álcool forte,
meu som de Dulce Quental
cantando o beijo que te dei...)

Sobre rosas e espinhos:

O Amor é corte...
as rosas são túmulos...
os espinhos salvação!


Lee Flôres Pires

quarta-feira, março 05, 2008

Quem ama mais?



Quando toca o telefone
qual coração dispara?
Quem corre primeiro?

Quando ouve o barulho no portão
qual coração dispara?
Quem põe a mão no peito?

Quem manda notícias?
Quem não consegue durmir se não chegar?

Quem ama mais?
A mãe?
O pai?
O beijo na festa?
A última despedida?

Meu coração só ama.
Não sabe amar.

Não precisa saber
quem ama mais...


Lee Flôres Pires