sexta-feira, abril 25, 2008

Nestas telas



O que fazer quando o poema nao sai?
Quando fica preso na garganta
ou a tinta endurecida da caneta não quer escrever?

O que fazer para dar vida ao poema que o peito petrificou?

Estou hoje divido entre as letras impedidas
e os lamentos engasgados
nestas telas de pinturas incolores.

E a folha que pedia poesia agora não escolhe telas
nem tintas furta-cor...


Apenas espera dor
e eu por enquanto espero...
e desepero com o poema que não pode atrasar.


Esse poema!!
Que é mais vida que a vida...


Lee Flôres Pires

terça-feira, abril 22, 2008

Rio invisível

Calou o Rio
a Baia de Guanabara
a calçada de Botafogo.

Maremotos descartáveis em Copacabana
pedindo alcóol forte
respeitando o silêncio
do último adeus.

Da faca
só resta o sangue
da boca
resta o peito
o desejo do beijo.

Lee Flôres Pires

sexta-feira, abril 11, 2008

Neruda

"Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais?
Juntos fizemos uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou....

Do teu coração me diz adeus uma criança.
E eu lhe digo adeus".


Pablo Neruda