sexta-feira, maio 23, 2008

A chuva 2



chove...

chove forte,
e esperamos novos outubros,
nos maios que virão.

Esperamos flores vermelhas nas primaveras de praga,
para que ressurjamos das cinzas das chamas de mississípi,
regurgitando as noites em claro...


e não por menos te ofereço aquela flor,
aquela rosa separada,
aquela linha do horizonte.

E não por menos te ofereço a rima clichê da dor,
o vazio necessário do adeus.

Por outras vidas,
por outras mortes...

Por um outro amor.


Lee Flôres Pires


domingo, maio 18, 2008

A chuva


Eu estava...

Meu corpo,
meu peito
em pé.

Eu era
habitado.

Senti
um sobressalto.
Era noite de chuva
e a chuva caía de acordo com ela,
de acordo com sua última lágrima.

domingo, maio 11, 2008

Flor e Espinho



Caía sobre meu corpo,
gota a gota,
o som dos teus espinhos.
A ausência da tua voz,
dentro de mim,
quebrava o teu encanto.

... mas a Rosa era tão linda!

Saía do meu corpo
a chuva, a morte tua.
Pedindo licença,
para sempre entrar.

... mas a Rosa era tão linda!

Escorria da minha boca
o sangue, a tua necrose.

... mas a Rosa era tão linda!

Tão linda, tão funesta
rosa em teu túmulo.


Lee Flôres Pires

quarta-feira, maio 07, 2008

Fruta pão


E dela parto,
dizia tonto
de boca miúda
rompendo a aurora.

E dela o peito
batia o ponto
do coração em escombros
rompendo a demora.

E dela a rosa,
de (lei) de li(lá)s
de muda e mercúrio,
licor de carambola.

E dela... a dor.

No meu peito:
a boca e o coração.
Na haste de plástico
do beijo da fruta pão.



Lee Flôres Pires

quinta-feira, maio 01, 2008

Evitar calar

A Rafael falcon


Inútil.

Os lamentos,
o poema que virou apenas letra,
e a carne que não viu o toque.
O tempo passou...
e eu que quis fazer um poema pra te conquistar.

Depois nada há,
nem vida, nem tempo
para você ver
(Meu poema nunca te conquistou por inteiro)
que fiz algo nunca feito.

Caíram
todas tuas grades,
sem surpresas, dia após dias.
Cada próxima ação tua,
meu poema anteviu.

Nunca houve par.
Nunca minhas pernas souberam com exatidão,
te dançar,
te pegar a mão,
numa melodia
escondida entre as letras.

E tu firmes, calada,
suave como a nuvem,
como teu dedo, tua carne,
tuas linhas riscadas.

Nunca te permitir parar.
Uma velha forma
de me perpertuar no teu ouvido,
como ondas do mar
te contei palavras.

Toda tua vida sobre tua pele,
sobre teu tacho de cobre,
com tua inevitável voracidade
escrita em meus versos de outros dias.

Foi-se o frio da brisa e do mar,
sem restinga nem praia,
sem cobrir ou esquentar,
o poeta construído.

No chão e no espaço
espalhei o teu sorriso,
cantando a sinfonia do universo,
onde a terra e os astros
escreveram-te em um canto esquecido.

Saí do ninho
como as tartarugas,
cheio de agonia buscando o sal
que tomou o teu ser.

Te compus uma canção
aos gritos, com os braços atados,
falei da espada pra cortar tua carne frouxa.
Falei de tudo,
que poesia que te fiz não conseguiu dizer.


Lee Flôres Pires


Quando meu poema não tem fim

Quando meu poema
Não tem fim
Meu fim é você

Opaca flor
Mulher silvestre,
Desgarrida de amor,

Meu vicio de paixão,
Sedutora maça,
Jibóia colossal,

Veneral fruta, minha chapada sensação,

Constelação sereiótica,

Alga oplasmada

Venenosa mulher.!.

Meu poema sai do teu bojo,
Corpo moldado por versos
Extraídos do mercúrio

Reverenciosa bruma
Do azul néon

Meu quadro

Lilás desbota do vermelho;
Desfilam as linhas,
Contornadas por canivetes
Encrava-se em mim;
Alheia a dor!

Meu amor venera
Pelo teu cobiçado fruto...

Se meu poema
não tem fim,

Sondo sem dor,

Meu quadro lilás
Desbota de vermelho...

Meu fim é foco!
É fogo!!!



Ewerton de Azevedo (01/04/99)