quinta-feira, maio 01, 2008

Evitar calar

A Rafael falcon


Inútil.

Os lamentos,
o poema que virou apenas letra,
e a carne que não viu o toque.
O tempo passou...
e eu que quis fazer um poema pra te conquistar.

Depois nada há,
nem vida, nem tempo
para você ver
(Meu poema nunca te conquistou por inteiro)
que fiz algo nunca feito.

Caíram
todas tuas grades,
sem surpresas, dia após dias.
Cada próxima ação tua,
meu poema anteviu.

Nunca houve par.
Nunca minhas pernas souberam com exatidão,
te dançar,
te pegar a mão,
numa melodia
escondida entre as letras.

E tu firmes, calada,
suave como a nuvem,
como teu dedo, tua carne,
tuas linhas riscadas.

Nunca te permitir parar.
Uma velha forma
de me perpertuar no teu ouvido,
como ondas do mar
te contei palavras.

Toda tua vida sobre tua pele,
sobre teu tacho de cobre,
com tua inevitável voracidade
escrita em meus versos de outros dias.

Foi-se o frio da brisa e do mar,
sem restinga nem praia,
sem cobrir ou esquentar,
o poeta construído.

No chão e no espaço
espalhei o teu sorriso,
cantando a sinfonia do universo,
onde a terra e os astros
escreveram-te em um canto esquecido.

Saí do ninho
como as tartarugas,
cheio de agonia buscando o sal
que tomou o teu ser.

Te compus uma canção
aos gritos, com os braços atados,
falei da espada pra cortar tua carne frouxa.
Falei de tudo,
que poesia que te fiz não conseguiu dizer.


Lee Flôres Pires


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