segunda-feira, junho 23, 2008

Por onde você vai?

Desde que o mundo é mundo,
Por todas as galáxias,
Eu procuro você.

Aquilo era o que ele tinha dizer,
Após seus segundos de embriaguez.

Mundo de poucas palavras,
De vitrines sedentas,
Sem instantes de amor.

Das estrelas ao fundo do mar,
No limite do horizonte,
Te vejo em todo lugar.

Aquilo era o que ele tinha por ver,
Nos últimos segundos de lucidez.

Vida de poucos momentos felizes,
De casas enclausuras,
Sem descanse em paz.

Lee Flôres Pires

sábado, junho 21, 2008

Canções


Amei...
as canções das noites escuras
o frio das noites em claro.

A solidão é um condomínio fechado.
É a cidade vazia do feriado.

Amei...
Porque amar nunca me foi pecado.

A solidão foi apenas o fim da linha,
O gosto amargo da falta de amor.

Sinto tua boca ainda na língua,
Seu corpo nos meus pés tremidos.

Amei...
A viagem a esmo a procura da esquina certa.
Do amor que ficou pra trás.

Amei...
O fato de amar miras inventadas,
Seus cabelos pré-fabricados.

Amei...
E como quem ama
Morri de amor
Nas palavras do dicionário.
Nas portas abertas que ficaram em silêncio.


Lee Flôres Pires

terça-feira, junho 17, 2008

Tempo

Tempo
de amar os passos lentos,
de caminhar de mãos dadas.

Tempo
de guerrear a desordem,
de desordenar a guerra.

Tempo...
tempo de saudade.
De perda de tempo.

Eu preso no tempo,
perdido entre tua boca
e a falta de tempo.

Tempo
de pedir tempo,
de mensurar as horas...

... e isto são horas meu caro?
O tempo passou,
já comeram meu verso,
já pintaram o sete,
e o relógio quebrou.

Lee Flôres Pires

terça-feira, junho 03, 2008

Brevidades

Um instante:
vida.
Brevidades de açucar,
luz... :
vida.
Cuspindo violetas.

Tenho medo.

Minha especialidade é morrer...
e se te levo no coração,
é porque és o meu mais profundo segredo,
o meu peito fechado,
minha tinta incolor.

Tenho medo.

Minha especialidade é fugir...
dos tetos de vidros
das vitrines e vitrais.

(e se te levo no peito,
é porque és o meu pé no chão, minha raiz na terra, meu céu nublado).

Não te digo nada
olho a esquerda:
milhões de vozes que fecham a certeza do fim.


Lee Flôres Pires