domingo, dezembro 07, 2008

Poema de amor n° 3

Ah vastidão de pinheiros, rumor das ondas quebrando,
lento jogo das luzes, solitária cabana
crepúsculo abatendo-se em teus olhos, boneca,
caramujo terrestre, em ti a terra canta!

Em ti os rios cantam e minha alma se perde neles
como tu o desejas e fazia para donde tu o querias.
Marca-me em teu caminho meu arco de esperança
e soltarei em teu delírio meu disparo de flechas.

Em torno de mim estou vendo tua cintura de nevoa.
e teu silêncio me acusa minhas horas perseguidas,
e tu és como teus braços de pedra transparente
donde meus beijos perdem e minha úmida ânsia abriga.

Ah tua voz misteriosa que o amor tinge e dobra
no entardecer ressonante e moribundo!
Assim nas horas profundas sobre os campos tenho visto
dobrar-se as espigas em a boca do vento.


(Neruda - vinte poemas de amor e uma canção desesperada)

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