sábado, dezembro 06, 2008

Sobre versos

A Beatrice Jasmin

O poema sente
a falta da métrica
do milímetro
atraversado.

Sente tanto
pelo amargor
líquido dos dias,
pela triste rima dos tempos.

E a poesia por vir
roí as unhas
diante das desjardinadas rosas,
da sede desértica.

Imóvel
a mão estanca
os versos,
não ousa deslizar
sobre o papel

E o poema -
suposta dialética primaveril -
fica entre o dito
e o não dito,
entre a boca calada,
e a voz distante
desconhecida.

E eu,
preso em tuas rimas,
enredado em teus cabelos,
ato-me.
Em desacato a tua carne,
tua palavra e tua unha.


Lee Flôres Pires

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