sábado, janeiro 24, 2009

Para se dizer ao pé do ouvido (ou canção da infelicidade)

Vontades...
ruídos,
língua,
canção.
Infelicidade sussurada
me fazendo mistura -
voz e ouvido.

Amo o vento
que desmancha o prazer da noite.
Amo o cheiro envelhecido do dia,
minha barba no seu rosto fazendo poesia,
como o sol descobrindo
o que seu jeito de olhar não queria -
detalhes que a sombra escondia.

Vontades...
ruídos,
dentes,
refrão.
Dentro de mim
a mordida infeliz de desejo,
o amor distraído do beijo,
pedindo tango.
(se é tango que queres
dancemos então).


Lee Flôres Pires

quarta-feira, janeiro 14, 2009

A faca que fura

a Babaloo

Teus versos
me cortam o céu da boca.
Letra por letra
dilacerando minha carne.

Ao ressoar dos seus lábios
ditongos, tritongos e hiatos
me cortam
feito lâmina cega
cortando o vento -
redemoinho de semivogais.

Teus versos
faca de nenhum gume,
nunca flores
nunca estrume.
Sempre sangue,
sedução...

A faca que fura meu coração!

E teu verso divã/neio
meio pronome oblíquo,
me cura com interrogação.


Lee Flôres Pires