quinta-feira, abril 16, 2009

Navio ao vento (vinho, cais e flor)

a Alice Ruiz


Sai...
deixando ondas
e fumaça no céu da baía.
E meu coração
sinestesiado de lembranças
pulsa a cada novo porto
a cada nova promessa de redenção.

... e a quem fica no cais
desculpe-me pelas letras que descem
pela mão que acena
pelo fim da sessão.
Desculpe-me por meu leme à deriva
minha rota de colisão.
Desculpe-me por ser flor
de pétalas ao vento
num filme sem cor.
Desculpe-me por ser vinho seco
de uvas vermelhas
que escorrem pela boca
sem sabor.

Desculpe-me.

Desculpe-me por aquele beijo
corpo, alma e mente
que esqueci completamente.
É que esta vida
de tela de cinema,
vinho, cais e flor,
navio ao vento,
moda retrô,
nos deixa assim...
desumanos.


Lee Flôres Pires

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