terça-feira, julho 07, 2009

Rosas, guerras e meninos.

a Samuel Neves

Agora é a vez
do menino falar o instante:
- enquanto a gente passa
no meio da tarde
pelas veias cinzas abertas,
tiros nos atingem.
Somos refugiados.
Bombas explodem, tanques invadem...
nossas vozes pouco ecoam.

Agora é a vez do menino falar -
vozes, ardentes vozes:
- querida,
não quero que me entenda
só queria dizer
que não me importo.
Eu quero ficar em casa
ou em algum bar colorido
de certeza, protegido
não importa se cercado
de flores funéreas
do sepulcro do meus amores.

Muros cercam nossa terra -
somos homens ilhados -
em nossos pescoços,
condominios e
arames farpados.

Ao menino que fala
resta a pedrada,
o som que vem dos mares,
dos campos e das pedreiras.
Trazendo noticias de dias e noites quentes...
e esse calor
se expandindo nos chãos
das fábricas e do jardim.

E no jardim:
rosas de todas as cores.
Uma fazendo-se notar.
Uma distante.
Uma esperança.
Uma Rosa separada.

Lee Flôres Pires

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