sábado, fevereiro 20, 2010

A poesia morreu na esquina

A poesia morreu
sambando na esquina perigosa da dor.
Morreu de bala perdida,
de cara pintada, confete e serpentina.

Morreu de escola de samba -
Caveirão desfilando na avenida sem cor.
Não eram Pierrô e Colombina,
Era o carnaval que abriu alas e fuzilou.

Não, o poema não pode viver em Ipanema.
Não, sangue não estancou no Leblon.
Não há poesia em Copacabana,
nem purpurina que faz brilhar o verso incolor.

Não há vida, nem pincel de alegria para a alma que me persegue,
e descreve o crime e o horror.

Não dá pra esconder o corpo putrefato
numa vala podre como a Baia.

(e é linda a Guanabara sem som e odor)

Miséria e fedor atravessando tuneis, viadutos, marquises
num cortejo triste de Gentileza e tinta fresca.

Este cortejo um dia há de transbordar o Rio Invisível,
e incendiar a poesia aqui velada.


Lee Flôres Pires

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