quinta-feira, março 25, 2010

Ela por ela (ou carta de adeus)

Não vou esperar
O tempo passar
E as pessoas passarem na minha frente
Como se a vida fosse uma vitrine
E eu uma espectadora imóvel na janela.

Por mais que as dores
sejam noturnas,
diurnas.
As entrego ao tempo.
E com ele, o tempo,
Elas desistam de me acompanhar
Na noite escura
No dia insone.

Noite e dia cansei de deixar claro
Que fui feliz por fora da janela.
Que foi divertido está do seu lado
E responder perguntas sinceras.

Só queria que pegasse em minha mão,
Mas se os lugares,
As pessoas e a nossa música que toca
Nos trazem meses de incertezas,
Frieza no olhar de colagem
Mãos vazias e soltas
ao chegar no bar
cegueira no quarto e sala
sem pôr a cama ao chorar.

Preciso de coragem
de pegar o que caiu no chão,
de convencer com o jornal
que lia na fila do pão.

Mas se a apatia
Já se fez lar
na reciprocidade
das ações.

O paraíso infantil das palavras
Será mais confortável,
Nem beijo,
Nem cartas,
Nem cheiros,
Nem declarações.

Nada que possa te perseguir.

Nem sorrisos,
Nem gemidos,
Nem cuidado
E companhia.

Nada que possa insistir no erro
Na dor.

Nem ironias
E discordâncias.
A poesia acabou.
Desistiu de mim,
Desistiu de você,
De nós.

Vou indo nessa
Te desejo felicidade.
E não serei feliz
o tempo todo,
mas o tempo todo
serei feliz com quem
quer ser feliz comigo.

Se cuida.


Obs.: paráfrase epigrafe: “todo amor é impossível, até que se torne inevitável.”


Lee Flôres Pires

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