terça-feira, maio 25, 2010

Aço II

E quem ainda suporta o mundo?
Não há mais drummonds
apenas vão mulheres vãs -
transeuntes entrelaçando pernas
com homens rudes
e seus sorrisos amarelos.

E quem ainda suporta o mundo?
Não há mais esperança
morremos de medo
das mãos ingênuas das crianças -
velhas lembranças
de felicidade.

E quem ainda...?
Não desiste no meio,
sem ao menos começar?
Sem guerrear o aço?
Pedaço em pedaço
tentar sobreviver
sem amar.

E se sobrevivo
é porque sou poeta
sobre o crime
de recordar o primeiro verso
escrito,
por um réu confesso,
no seu olhar.

Lee Flôres Pires

segunda-feira, maio 24, 2010

Aço

O cansaço é o próprio aço
sonho castrado no braço
sem cores
o trabalho -
alienação.

Mente
relógio zerado
falta de espaço
acabou o tempo de descaso
alertou a insurreição.

Lee Flôres Pires

terça-feira, maio 18, 2010

Sem adjetivos

a Lee Flôres

O verso
era fome, era sede.
E a fome era tanta!

A boca da moça
era rima, era corte, era fruta.
Era mais.

O sonho era corpo demais,
tão cheiro, tão cor.
E que gosto!

Nas portas dos olhos,
nas brechas do peito,
tudo era tão muito.

Que menina,
passeando
pelas palavras
pintava, coloria
adjetivíssima.


Yara Fernandes 08-05-2008

segunda-feira, maio 17, 2010

O amor esteve aqui

O amor esteve aqui
ninguém viu ele entrar
passou o tempo que quis
saiu sem avisar.

O amor esteve aqui
entrou sem permissão
levou o que bem quis
fugiu como um ladrão.

O amor esteve aqui
disse "não vou demorar"
olhou pro lado, fez hora
e partiu pra não voltar.

O amor esteve aqui
disse "vim para ficar"
"dessa vez é para sempre"
e escapou tão devagar.

O amor esteve aqui
bateu na porta, insistiu
pensou "não tem ninguém"
foi embora, desistiu.

Leo Trindade

segunda-feira, maio 10, 2010

Cálice no sim

Do rubro cálice de vinho,
da boca que bebe o éter,
pálidos por um instante
os lábios de batom.

Ela tão alcóol forte
tão aberto o peito
prestes a se sabotar.

Esquecer que não há mortes
que não há fim
depois da noite.

E essa noite
tão forte quanto o peito
pedra que dói no sim.

Ela menina sutil
com os dentes chamando voz:
olhos consentidos
estampados em nanquim.

Ela...
vida breve
Insight de jasmin.

A paixão não é soluço
nem lágrima fogo -
copo, gelo e gim.

Boca, ela... perto.
Terra, água (...)
que aterra em mim.


Lee Flôres Pires