sábado, agosto 21, 2010

Ritmo de banzo

a Yara Fernandes


Sem poesia
o corpo dança
desnutrido
um banzo silencioso.

(... quem dera fosse o silêncio
a sátira do ritmo!)

Sem prosa
o corpo ainda dança
insiste
triste
entrar
no verso,
sáliva
e sorriso -
síntese
de dentes
e aliteração.

Sem palavras
o corpo
despido de sons
retém a sílaba
cancela o beijo
no copo -
solilóquio
deleite
e dilúvio
no penúltimo
poema.


Lee Flôres Pires

segunda-feira, agosto 16, 2010

Jazz

Teu toque
é tão grave...

É nota improvisada
que me dedilha
trepidando cordas
bambeando pernas.

Um swing segue pelo sangue.
E eu solo.

Se teu jazz me toca,
eu deixo de ser blue.


Yara Fernandes


Uma homenagem a uma grande companheira.
Um poema que me tocou muito.