quarta-feira, setembro 29, 2010

Ouvidos tensos

Por ser pouco
teu amor
não dizia nada,
em meus
ouvidos tensos.
E era de se esperar,
que a espera
fosse
falta de sorte.

Sua boca
calada -
um silêncio
infinito
de rasgar
a pele.
Mede
esta delicada
forma
de morte.

Já não basta!
A palavra
escrita
não compensa
a antiga
voz distante
ao telefone.
O eco
das fotos
pela sala.
A lembrança
do adeus
silenciado
cortado
ao pé
da carne.


Lee Flôres Pires

sexta-feira, setembro 24, 2010

Ruga

a Yara Fernandes

Os dias
o tempo
o corpo
fará mudar
a flor rubra -
inesperada ruga
que nasce
em silêncio
nas costas
do sol.

As cicratizes
e o café,
usina
dos meu passos,
elimina
o cansaço,
o sono
engolido
aos poucos.

E a terra tonta
encontra
o eixo,
equilibra o
peão a rodar.

O trem já passou
e a terra não
deixou de girar.

Sempre tão igual...

mas amanhece
lentamente
a flor,
o feijão
que brota
o novo dia.

Lee Flôres Pires