quarta-feira, setembro 29, 2010

Ouvidos tensos

Por ser pouco
teu amor
não dizia nada,
em meus
ouvidos tensos.
E era de se esperar,
que a espera
fosse
falta de sorte.

Sua boca
calada -
um silêncio
infinito
de rasgar
a pele.
Mede
esta delicada
forma
de morte.

Já não basta!
A palavra
escrita
não compensa
a antiga
voz distante
ao telefone.
O eco
das fotos
pela sala.
A lembrança
do adeus
silenciado
cortado
ao pé
da carne.


Lee Flôres Pires

Um comentário:

camila chaves disse...

muito bom. já senti-me nesta situação e sei bem o valor e os sentimentos que cada uma destas palavras perfeitamente combinadas trazem consigo.

é a alegria e a esperança que vem em cada gesto, em cada palavra e o desânimo seguinte, que chega após a constatação de cada ausência, de cada palavra não dita que nossos ouvidos esperavam tensos.

um abraço e parabéns pela poesia. recomendei.