sexta-feira, setembro 24, 2010

Ruga

a Yara Fernandes

Os dias
o tempo
o corpo
fará mudar
a flor rubra -
inesperada ruga
que nasce
em silêncio
nas costas
do sol.

As cicratizes
e o café,
usina
dos meu passos,
elimina
o cansaço,
o sono
engolido
aos poucos.

E a terra tonta
encontra
o eixo,
equilibra o
peão a rodar.

O trem já passou
e a terra não
deixou de girar.

Sempre tão igual...

mas amanhece
lentamente
a flor,
o feijão
que brota
o novo dia.

Lee Flôres Pires

Um comentário:

Yara disse...

Tua poesia
amamenta o feijão,
gira a terra,
faz nascer o dia. Tua poesia
desamanhece o corpo
desfaz a ruga
lentamente. Tua poesia
que eu engulo,
nunca igual.