sexta-feira, outubro 29, 2010

Feitiço

A poesia diz
teu nome -
atraversado
feitiço
de primavera.

Ela se revela
no beijo
na pele
no corte
no acorde de Hendrix.

Sem arrependimentos
ausência -
sêmen
anti-tergiversação.

Ela minha
tende
a dedicar.


Lee Flôres Pires

sábado, outubro 23, 2010

do coração

Dedico
exposto
mãos a mostra
provoca
a outrem
sem cores.

Oferto
o meu
o teu
selo
caminho
solitário -
poema que
te fiz.

Verso
por verso,
prole
por prole,
boca por
boca...

Abdico
o beijo
que não seja
corte

sangue
de quem
ama
em evidência
o remetente
alcançado.


Lee Flôres Pires

sexta-feira, outubro 15, 2010

Maldizendo

Não se encruzilhe.
Poesia é mandinga braba.

Se a caldeira
desavisada
ferve.
Não vá misturando
pitada de verbo
línguas de metáforas
gosto sinestésico
de luar...

Não arrisque
alquimia de significados,
ricos sabores neológicos,
pois o molho
unguento
cozinha...
será inocente o que virá?

Não se iluda
com a magia
das assonâncias,
a ousadia
nos ouvidos
das moças.

Poesia não é coisa
do céu.
É obra do cão.
Macumba,
urucubaca...
não solta mais
a sangria intermitente.
A prosa tinhosa.

Pensa que impunemente
pode ir criando cântico
que alcança o âmago
e faz do olho uma nascente?

Prepare bem o ébo
de peito aberto
e corpo fechado.
Poesia é négocio feito
com sangue e alma.
E o Coisa-ruim
cobra em espécie,
líquido e corrente.

Não invoque o mundo
esta suposta
encruzilhada
de olhos maleguetos.
Esta sensação de incômodo.

Depois não haverá remédio,
exorcismo, quebranto
que arranque
o nódulo do peito -
essa paixão no estômago.



Yara Fernandes e Lee Flôres

quarta-feira, outubro 06, 2010

Rua sem cor

Dias de inverno passam tão lentos
e eu te espero ouvindo o vento,
tardes vazias voam no tempo,
pensamento em despedida.

Fostes tão longe
teu rosto não me pertence.

Quando eu disse adeus
pra sempre eu errei.

Se eu olhar pra trás
teus passos não vem.

Sua casa onde achava
sombras dos teus destinos,
rua sem cor, jardim sem flor,
mas sentimentos vivos
por você.

(Pública)