Não se encruzilhe.
Poesia é mandinga braba.
Se a caldeira
desavisada
ferve.
Não vá misturando
pitada de verbo
línguas de metáforas
gosto sinestésico
de luar...
Não arrisque
alquimia de significados,
ricos sabores neológicos,
pois o molho
unguento
cozinha...
será inocente o que virá?
Não se iluda
com a magia
das assonâncias,
a ousadia
nos ouvidos
das moças.
Poesia não é coisa
do céu.
É obra do cão.
Macumba,
urucubaca...
não solta mais
a sangria intermitente.
A prosa tinhosa.
Pensa que impunemente
pode ir criando cântico
que alcança o âmago
e faz do olho uma nascente?
Prepare bem o ébo
de peito aberto
e corpo fechado.
Poesia é négocio feito
com sangue e alma.
E o Coisa-ruim
cobra em espécie,
líquido e corrente.
Não invoque o mundo
esta suposta
encruzilhada
de olhos maleguetos.
Esta sensação de incômodo.
Depois não haverá remédio,
exorcismo, quebranto
que arranque
o nódulo do peito -
essa paixão no estômago.
Yara Fernandes e Lee Flôres
1 comentários:
"Poesia/É coisa do cão."
O que é mais fabuloso na poesia é poder achar belas até mesmo as certezas que não são suas.
Interessante.
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