sexta-feira, dezembro 10, 2010

Estatísticas

Nossas mulheres, em média,
São presas do vício
De encenar a farsa
Que hora tudo está
Na mais santa ordem
Lá dentro do seu homem,
Lá dentro dos seus filhos,
Lá dentro dos seus lares
Tem pilares sólidos.
Nossas mulheres, em média,
Cultivam heranças
De mãe pra filha
Desde mil-quatrocentões
São prendas secretas,
Receitas completas,
Mandingas e remédios
De como remendar
Seu mundo a preços módicos.
No fim da novela
Há um beijo que o marido negou
Há um "happy end"que o vento levou
Um rapto, uma aventura de amor
E a esperança, furta-cor
De um lapso na realidade nua e crua,
Por favor!
Nossas mulheres, em média,
Duvidam do espelho
Ao constatarem a inevitável impressão
Do chumbo da idade,
Das velhas vontades,
Sobre as sobrancelhas
Por mais que a maquilagem
Cubra os anos óbvios.
Nossas mulheres, em média,
Encaram a vida
Com muito mais sabedoria e altivez
Que os homens sisudos,
Heróis derrotados,
Guerreiros cansados
Que à noite querem janta pronta
E assuntos sérios.

(Guilherme Arantes)

Antes da chuva chegar

Sinto agora que o vento
traz coisas de longe de casa libertando a voz
são lugares perdidos, imagens confusas de tempos
que não voltam mais
e pessoas com quem conviví, suas palavras, seus sonhos,
seus atos, seus modos de ver a vida
olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar

Pela rua deserta e forrada
de folhas caídas que voam ao léu
corre o meu pensamento
no rastro das nuvens pesadas que habitam o céu

Vejo a casa na qual me criei,
vejo a escola, o jardim,
vejo a cara de cada um dos meus companheiros.
olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar
olhe o que o vento traz, antes da chuva chegar

(Guilherme Arantes)