sexta-feira, janeiro 28, 2011

Tela em transe

Ele,
que vivia sentado
sob o mesmo terno,
viu passar os anos
e as pessoas
iguais aos velhos.

Ele,
que já era velho
de idade
e pernas,
abandonou os planos
as gravatas
e os nós na garganta.

Ele
indiferente
às moças
cheias de vida
na caixinha de luz.

Ele
indiferente
à suposta vida -
tela em transe
de não ser humano.


Lee Flôres Pires

quarta-feira, janeiro 05, 2011

O quem das coisas

a Manoel de Barros

Molhado de peixes
eu se chorei
um rio de andorinhas
porta de silêncio
boca fechada.

Seco de árvores
eu se amei
um vento sem raízes
trem descarrilhado
passageiro sem caminho.

Sem palavras
sem voz
inultilmente
atrás do quem das coisas...


Lee Flôres Pires