sábado, abril 16, 2011

A ferro e fogo

Cravo esta canção
no teu corpo
- asfalto -
à temperatura
do pneu
em brasa.
Faço-o arma,
escudo
pra proteger
meu peito.

Este mundo
- máquina de
moer
ossos
e sonhos -
nos dá o tom
a base
do fogo
e do ferro.
Fere
e marca
a lição
da vida
como tatuagem.

No Tórax
o vapor
de verso
em verso,
nos pedem
silêncio
paciência
e cicatrização.

Mas ainda
há som,
refrão
e última estrofe.
Podemos
quebrar
o compasso,
subverter
o ritmo,
soar
o dissonante
e compor
uma nova canção.


Lee Flôres Pires

terça-feira, abril 12, 2011

Reivindicação

Da maioria
o estranhamento
a ausência
das palavras reais.
Me restou fugir
com o poema vivo.

Do caminho -
mortos
por
mortos -
evito
trilhas
não humanas
fetiche
de felicidade.

Reivindico
o simples verso
que me emocione
que me devolva
o direito
de sonhar.


Lee Flôres Pires

sexta-feira, abril 08, 2011

Geografia dos pássaros

Entre nós
não há geografia
não há espaço
não há tempo
que os versos
não possam transformar.

Te prometo que
o amanhecer
os pássaros
as flores
e as greves
serão
tu e eu -
e seremos nós
a cobrir violentamente
o asfalto.


Lee Flôres Pires 15/11/10