domingo, fevereiro 26, 2012

No metrô
transeuntes
hiperestimulados
atropelam sonhos
com seus corpos máquina
e suas cabeças televisão.
Na real
suícidios pálidos
que poderiam realizar
nos trilhos
ou em qualquer vagão.


Lee Flôres Pires

quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Janela do olhar

Nesta tua fresta,
não se diz o ver,
não se mede o sentir.
Só o belo existir
de quem fala
e entende num flertar.

Neste teu filtro,
não se enxerga o ver,
e quem sente, cala;
mente, finge esquecer
o que não se pode dizer.

Para o belo existir,
Surgido do triz dos lábios,
do cheiro do novo amanhecer,
deixa voar o vento –
veludo invisível, calma.

A mão só fala enquanto palma,
e o corpo enquanto alma,
e o silêncio enquanto olhar.

E para o que não se pode dizer
deixa a luz destes teus olhos -
eterno não esquecer.


Pedro Caetano/Lee Flôres Pires