quinta-feira, fevereiro 23, 2012

Janela do olhar

Nesta tua fresta,
não se diz o ver,
não se mede o sentir.
Só o belo existir
de quem fala
e entende num flertar.

Neste teu filtro,
não se enxerga o ver,
e quem sente, cala;
mente, finge esquecer
o que não se pode dizer.

Para o belo existir,
Surgido do triz dos lábios,
do cheiro do novo amanhecer,
deixa voar o vento –
veludo invisível, calma.

A mão só fala enquanto palma,
e o corpo enquanto alma,
e o silêncio enquanto olhar.

E para o que não se pode dizer
deixa a luz destes teus olhos -
eterno não esquecer.


Pedro Caetano/Lee Flôres Pires

Um comentário:

de la macha disse...

Então, cara, tinha um blog chamado Subsenso (desativado). Comecei esse. Leio esse teu blog há tempos.
=]