segunda-feira, abril 23, 2012

Mundo de Sofia

a Sofia Abreu

Não lembra?
Aquela mesa
aquele bar
aquele olhar.
Não lembra?

Aquela lua
aquela voz
aquele mar.
Aqueles tempos
pessoas em comum.
nada em comum,
lembra?

Olhar nos olhos
espontâneo?
Ou sincero?

Meu nome,
meu endereço,
poema vestido,
molhado de onda levando,

correnteza adentro.

Esqueceu?
Onze anos,
quatorze horas,
dezessete emoção.

Ganhou o dia?
Declaração de dores:
- Quando convém finjo amar,
pretendendo amores.

Que venha maio:
cinema -
comedia romântica -
seu sangue, signo e coração.

Concluo.
Dizem.

Inusitada
nem tanta
simpatia.
Nem pensar
em entrar.
Mas onde estão as portas?

Descobrir os caminhos
dos vales, das pedras.
Entortar os trilhos de Abril:
- Doce Abril.

E você tão passageira
com seus sapatos vermelhos
deixando para trás meus dias tristes.



Lee Flôres Pires

quarta-feira, abril 04, 2012

Gol aos quarenta e três

Minha segunda falta de ar,
minha terceira taquicardia,
minha quarta troca de coração,
meu calibrado quinto peito.

Meu sexto eterno adeus.

Minha sétima mais uma vez,
minha oitava nova emoção,
nona jura de amor e morte,
décima grande decepção.

Desfaço as malas:
décimo primeiro
apartamento sem você.
Reorganizar
as pedras e os sapatos,
as fotos, a cabiceira
e o cheiro de jardim. 

E o gosto da tua lágrima
na primeira flor
que me desses,
guarda dezenas
de noites
e alvoradas,
e me faz abrigo
neste entardecer
como se fosse
a primeira vez.


Lee Flôres Pires