sábado, setembro 15, 2012

Monalisa

A saliva
ordenha
a língua
o desenho
da boca
de entremeios.

Delineia
contornos
entrelinhas
íntimas
deste poema
seiva.

Esboça
a textura
arisca
e pinta
nua
a Monalisa
em você.


Lee Flôres Pires

quarta-feira, setembro 12, 2012

Silêncio mineral

Eu queria ler as pedras
molhadas de chuva
e noite
para descobrir
os caminhos
do amanhecer sem frio.

Mas o silêncio mineral
congela as extremidades
do meu corpo,
mundo eu,
cortando o rubro
dos meus lábios.

Surge o aroma,
avelã que brotou
no caminho mudo
das pernas
pela manhã de sol
e passarinho.

E no rio:
água,
pedras,
vida.

Quem sabe pedras podem falar?
Quem sabe pedras tragam vida?

Quem sabe
flores,
borboletas,
amores
no desaguar
do rio no mar.


Lee Flôres Pires

sábado, setembro 08, 2012

Lápis


Quando a carne
escorre o vinho
dos teus olhos
preto lápis,
desejo
por um triz
seus lábios
e esqueço
a impossibilidade
de nossos hábitos.


Lee Flôres Pires

quinta-feira, setembro 06, 2012

O folhetim

Na cama
o mundo gira
as noites escuras
perdidas
lembrando
na Polaroid antiga
a mulher
que mil vezes amei.

No criado mudo
tempestades
notícias
nas páginas
das revistas
que inventei
só para ler seu nome.

No peito nu
o folhetim
rasga seda
a todas
as mulheres
que rasguei em um só dia.

Para não manchar o cetim
enxugo as lágrimas
e as marcas de batom
desta noite
de esquecer o fim.


Lee Flôres Pires