quinta-feira, setembro 06, 2012

O folhetim

Na cama
o mundo gira
as noites escuras
perdidas
lembrando
na Polaroid antiga
a mulher
que mil vezes amei.

No criado mudo
tempestades
notícias
nas páginas
das revistas
que inventei
só para ler seu nome.

No peito nu
o folhetim
rasga seda
a todas
as mulheres
que rasguei em um só dia.

Para não manchar o cetim
enxugo as lágrimas
e as marcas de batom
desta noite
de esquecer o fim.


Lee Flôres Pires

2 comentários:

Isadora Lira disse...

É sempre muito prazeroso ler um poema que aborde a angústia do não ter com tanta suavidade.


Ana Caolina disse...

LEEindo,
Eu mesma gostaria de ter escrito algo assim, tão sincero, suave e inspirador. Arrasou muito.