terça-feira, janeiro 08, 2013

Lume

à Tamiris Rizzo

Não começamos agora,
nem terminaremos depois.
O mundo é eterno
quer queira os homens,
as formigas,
e os elefantes.

Não há fim,
bocas sem saídas,
carinhos sem horizontes.
Nossos olhos de descobrir são infinitos
como os nomes das letras,
e as ruas sem nomes.

Não há que se esperar da vida
o mesmo que os vaga-lumes esperam da luz.

Há de se prosseguir a noite sem prantos,
rasgar os becos e o medo do inimigo.

Há de se esperar novos rumos,
vindo dos caminhos que não respeitam mãos atadas,
e avenidas sem liberdades.

Há de sonhar sob o lume,
com todo o pulso e coração.


Lee Flôres Pires


sábado, janeiro 05, 2013

Festim

Por qual janela se foi seu aroma?
Seu perfume que ficou no ar quando você fechou a porta?
Seu cheiro de jasmim na memória
de quem o tempo não perdoa por não cultivar a flor?

Lembro de uma noite cinza,
meus olhos sem lágrimas.
E na ausência de dor
o fim passou despercebido,
como as luzes que se apagam,
no fim da festa do nosso amor.


Lee Flôres Pires