sábado, março 02, 2013

Madrugada

A noite cai viscosa,
escorrendo lentamente pela parede do nosso quarto -
óleo diesel que inflamava nossa cama.

O dia se nega a nascer,
tua ausência freia a gravidade
em tudo que a vista alcança:
a chuva desce lenta diante da nossa janela -
tragédia sem cores
que me lava
e me arrancar da pele seu toque.

A madrugada, se esvaindo
em lágrimas, congela meu peito,
e um sol pálido anuncia a manhã
em meu corpo cinza
e sem sentidos.

Lee Flôres Pires/Rafael Costa

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